sábado , 21 abril 2018
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Por que a violência no Rio cresceu no último século?

Por que a violência no Rio cresceu no último século?

Urbanização e problemas sociais são fatores cruciais do tema, retratado em Sol e Sonhos em Copacabana, de Aliel Paione
Foi a partir do início do século XX que a cidade do Rio de Janeiro se consolidou como paraíso tropical, terra do samba, carnaval e Bossa Nova, elementos hoje tão relacionados à cultura carioca. Mas também foi de meados de 1900 para cá que o fator “violência” intensificou-se, de forma que tanto a população carioca quanto visitante (mesmo indo ao local pelas atrações turísticas) passaram a ter o medo e a insegurança presentes no dia a dia vivido na cidade, principalmente nos centros urbanos.

Problemas sociais sempre existiram na cidade do Rio de Janeiro, como as epidemias de doenças decorrentes da falta de saneamento básico na primeira década de 1900 (foi no Rio que, em 1904, ocorreu a Revolta da Vacina). A população pobre se concentrava no centro da cidade em condições precárias de higiene, enquanto a elite seguia a Belle Époque a todo vapor, modernizando a metrópole e se inspirando na vida parisiense. Ou seja, a discrepância social, que origina conflitos de diversas naturezas vem desde o passado, afinal, é uma questão histórica e colonial que atravessa séculos.

Mas, o que mudou de lá para 2018? Um elemento crucial que configura o cenário atual é a urbanização. A violência urbana, cujas maiores vítimas são os jovens, é decorrente da desigualdade social que geralmente grandes cidades possuem, nas quais condomínios de luxo são vizinhos de aglomeradas favelas, o que resulta em uma coabitação de classes tão diferentes em um mesmo espaço. Tratando-se mais especificamente do Rio, o que mais se vê na televisão é a guerra ao tráfico, interminável e ineficiente, resultado da falta de investimento do poder público na segurança populacional.
A urbanização é um dos maiores desencadeadores dos problemas sociais justamente pelo crescimento acelerado da cidade, que não fornece com tal rapidez as condições e infraestrutura para os cidadãos. A falta de emprego, moradia, saúde e educação para muitos que ali habitam resulta em um cenário de marginalização e, quando estes entram em contato com aqueles que possuem oportunidades, surge um território tenso, em tempo integral.

Aliel Paione retrata a vida carioca em sua obra Sol e Sonhos em Copacabana, retomando o período de 1900 e suas crises, semelhantes às atuais. O autor faz crítica à política café-com-leite, ao mesmo tempo que traz para o leitor as belezas e delícias únicas do Rio de Janeiro, proporcionando uma saída, baseada na contextualização histórica, mesmo que momentânea, para momentos tão conturbados que o Brasil e a cidade maravilhosa vivem.

Redação Revista RH Online

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